preguiça de pensar que eu vou passar o dia todo longe de você

dizia o homem ao telefone sem ninguém do outro lado da linha

 

 

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Dirigir não e uma atividade muito trabalhosa para quem é acostumado a trabalhar em pé por 10 horas seguidas.
Fim do expediente. 5 e pouco da manhã. Estacionei a porta de casa sem coragem de levantar do carro.
Pensei em terminar meu cigarro ali mesmo. Seria um golpe fatal para continuar sentado até o sol bater no meu rosto e me acordar.
Previ a dor de cabeça.
Sem pensar em coragem ou fraqueza, levantei, tranquei o carro e entrei em casa.
Inalei o resto do cigarro na garagem ao lembrar que não moro mais sozinho.
Voltar pra casa foi uma das minhas derrotas já esquecidas.
Atravessei a sala a caminho do quarto.
Joguei os últimos tic tacs na boca para substituir o escovar dos dentes.
Não quero nem pensar que em algumas horas eu acordo, mas eu o faço.
Fazer as contas do tempo que falta pra acordar faz mal à saude mental.
Tenho mil compromissos amanhã e minhas costas dóem.
Os olhos pesam.
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o problema dessa vida é querer ser vários quando só dá tempo de ser um.

 

 

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às vezes acho que não nasci pra viver em sociedade

qual é o diagnóstico, doutor?

 

 

 

 

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Na praia, seminus. Eu via a esperança nos seus olhos e te convidei:
- Vem, mergulha comigo.
Sua feição mudou.
Vi você relutar nos pequenos passos que dava para trás.

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Dentro de um vasilha, acumula-se o amontoado de moedas de troco de diversos lugares.
O tempo faz crescer o volume dentro da vasilha.
Comecei a gastar um níquel por vez.
Consegui um emprego novo, mãe.
Agora eu posso fumar.
Eu pago os meus próprios cigarros.
Não é tão vergonhoso ter um vício.

Cadê meus óculos? Eu não os encontro.
Cadê meu chefe? Foi pra casa.

Existe um modo de simplificar a vida?
Tenho que deixar todo mundo em casa antes de ir pra minha,
ou pra sua Victinho, caso ainda haja festa.

Nós não sabemos como nos comportar
quando não há alguém pra ficar de olho.

É tão estranho poder ser o que quiser.
Faz as obrigações voarem pra longe, mãe.

O tempo passa eu tento fazer o nível de álcool diminuir no meu sangue.
Não esqueço de melhorar meu comportamento sempre que alguém olha.

Meu telefone acabou de tocar. Não era quem eu esperava, era quem me espera.
Pena serem sempre pessoas diferentes,
né?

Eu espero o tempo passar e entro (novamente) na ambiguidade da preguiça:
trabalho pro tempo voar?
ou não faço nada e o vejo se estender?

Confiro meu batimento, meu coração não está tão acelerado assim.
Do escritório ouço o cozinheiro blasfemar enquanto fala ao telefone.
Eu nunca vi uma boca tão suja.

Trate bem a equipe da cozinha.
Cuido bem dos conselhos que recebo e minha vazia nunca fica barriga.

Erros cotidianos de um bêbado que inverte as palavras e mantém o sentido.

Procuro alguém que compartilhe da maldição de escrever.
Saudade da Ana.
Cadê a Marcela?

Família Goudin e seus enigmas.
Mulheres misteriosas chamam mais atenção, despertam mais interesse: Dizia a manchete do jornal.

E o que eu digo, eu não sei. Prefiro ficar calado.
Aqui, na sala sem muita luz.
Com mais cadeiras do que gente. Mais imaginação do que dinheiro.
Assim fica fácil de fazer a vida continuar a mesma.

Girando a cadeira, eu não giro o mundo,
Mas giro a cabeça.
Já não é o suficiente?

Penso em moda de poesia e tento sobreviver a mais um dia de excesso de lucidez.

O que eles no andar de cima estão falando?
Eu não entendo.
O gringo.

Tento traduzir umas frases mas me engano em significados.
O que são sentidos em frases que não contém.
Conteúdo contigo.

Imagino Bukowski me passando a cerveja pra eu segurar
Com a mão livre, me dá um tapa na nuca.

Desses que dói.
Desses que o barulho diz por si: (pára de frescura e) vira homem.

Vou virar homem, pai.
Eu prometo.
E isso não tem a ver com fumar uma carteira de cigarro num dia só.
Nem com a transpiração na tarde seguinte, com o cheiro de cerveja.

Vou ali virar homem pra nós 2 ficarmos orgulhosos.
O resto não importa.

VALDIR, VEM AQUI… VAMOS FECHAR A PORRA DA CONTA DO BAR!


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Cansada das amarguras que na juventude assolaram seu coração,
Clarice decidiu tomar uma decisão.

Usaria como critério o bem de suas filhas
E não teria mais sua vontade como prioridade.

Em vão resgatava traumas nas noites mal-dormidas.
Desejos e traumas apareciam em pesadelos.

Acordava.
Sempre com um susto.

A fresta da janela mostrava que ainda tinha horas pela frente.
Estica a mão em direção ao outro travesseiro da cama
e sente falta da companhia de noites insones.

Faz tempo que não sabe o que é ser amada.
Chorou diversas vezes ao volante ao som de Calcanhoto.

Arremessou o cd pela janela.
Queria uma nova vida.

Foi blefe.
Nada mudou.
E esqueceu de tudo que prometera a si quando lágrimas lhe vazavam os olhos.

 

 

Olha o relógio.
Tem que buscar as crianças na escola.

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